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De volta ao passado

Com o brilho e extensão destaca-se a biografia de Lindley Gregório Mendes. Ele é fundador da Transporte Landrico, de Oliveira, localizada na “bacia viária” da BR-381. Com 72 anos de idade, provou ser uma das memórias vivas do TRC mineiro, com ênfase na Fernão Dias, de 1954 aos dias atuais. Embora tenha um nome estrangeirado, Lindley nasceu na vizinha cidade de Cláudio e como é costume da terra, ganhou sonoro apelido da própria mãe: Landrico.

Em 1939, veio com a família para Oliveira, cidade à beira-Fernão Dias, “encruzilhada de picadas e travessia para os feitos sertanistas”. Naquela época, só o comércio oferecia alguma oportunidade aos pequenos capitais. Por isso, o pai de Landrico o apoiou na abertura de um armazém. No seu contato com os poucos caminhoneiros que vinham descarregar à sua porta, Landrico percebia que “o negócio de secos e molhados era muito marcha lenta – o caminhão era mais dinâmico.” Seduzido e esperançoso, comprou o primeiro Ford usado, 1946, a gasolina.

Sua rota seguia o bom senso. Levava café sem casca para o Porto do Rio de Janeiro e trazia arroz do Maranhão, desembarcado no cais ao lado. Em dois anos, comprou um Chevrolet 51.

O Ford não tinha mercado. Aí achou melhor acreditar na brincadeira da época que corria de boca em boca: mulher é Maria, homem é José e caminhão é Chevrolet. Então comprei um, modelo 1951.

Foram cinco anos na mesma rota. Landrico casou-se e continuou a formar seu patrimônio em um tempo de grande retorno de investimento. Esse é um dado que ele insiste em ressaltar, confrontando-o com os dias atuais. “O Chevrolet carregava 85 sacas de café ou apenas 5.100kg. Hoje você anda com 30 toneladas e tem menos resultado”. Por sinal, resultado que levou Landrico ao primeiro cargueiro zero km. Está na sua memória prodigiosa: Com a vida seguindo, eu troquei de caminhão.” Landrico prosseguia as viagens ao Rio e com carga de retorno.

Aos poucos, os carregamentos rurais foram sendo substituídos pelos industriais, rumo a São Paulo. Inicia-se a fase pré-Fernão Dias de Landrico, com o ferro-gusa da cidade de Cláudio/MG. Na volta vinha ração para o então portentoso Laticínios Figuinha. O percurso sempre começava bem cedo, “ainda com o escuro, para dar tempo de almoçar em Lavras”. O objetivo era pernoitar em Cambuí. Após a segunda madrugada, dava para descarregar em São Paulo, na parte da tarde. Isso porque o asfalto paulista já chegara em Extrema (1958).

Até 1970, o desbravador do pré-asfalto não precisou emitir conhecimento. Atuava como carreteiro da tradicional e conterrânea Transporte Oliveira (hoje extinta). Submisso à exigência, constituiu a Transporte Landrico, a qual começou com “uns 15 caminhões próprios”. Inicia-se aí a terceira fase do empresário, empenhado no bom negócio do carreto do Laticínios Figuinha para o Nordeste. Foi o período áureo. Com o encerramento das atividades deste seu cliente, Landrico admite que ficou “como galinha fora do galinheiro”. Estava acostumado “ali de um jeito… tinha carga toda semana, de repente acaba…”

No auge da frota própria, a empresa chegou a 25 unidades, com baús frigoríficos da Recrusul. Na falta da carga certa, a empresa voltou-se para a carga geral e fracionada, abrindo Belo Horizonte e São Paulo. Atualmente, Sanzio Mendes, o filho mais velho, segue com o negócio. Landrico foi estradeiro de 1958 a 1972 e acha que “enfrentou o transporte na força bruta, carregou o peso pra hoje estar tranqüilo e os oito filhos não terem de se sacrificar na estrada”.

(texto adaptado da matéria revista Veículo Especial ano 35 número 231/232)